Publicado por: Paulo Ghiraldelli Jr. | Junho 22, 2008

Amor, Árabes e Isralenses

Ronit Elkabetz, linda como DinaO cinema israelense nos premia com mais uma obra linda: A Banda (The Band’s Visit, do diretor Eran Kolirin). Não há como perder filme israelense, principalmente os dos últimos anos. Vários são os diretores que investem na idéia da convivência entre árabes e israelenses, e todos eles caminham pela linha que meu amigo Richard Rorty insistiu: os das relações pessoais, o das redescrições uns dos outros.

A Banda tem pretensões humorísticas. E nisso acerta. Tem pretensões de suavidade romântica, e também acerta. Tudo se passar em apenas um dia e uma noite, e no entanto parece que ocorre ali a vida completa de todos os personagens.

A Banda Militar egípcia fica hospedada na casa da dona de um pequeno restaurante em uma cidade no meio do nada, em Israel. Uma hospedagem de improviso. Tudo é improviso a partir daí, menos a investida da dona do restaurante, a madura e bela X, no militar que chefia a Banda. Ela quer amor. Ele irá dar? Ou a sua amargura não o deixará ultrapassar a barreira de uma viuvez que o endureceu? Quem irá dar amor a ela? Você não quer saber? Se quiser, não se arrependerá.

No meio do nada, um egípcio ensina um isralense tímido a ficar com uma garota pela primeira vez. No meio do nada, um israelense colabora com um músico militar para finalizar sua composição. No meio do nada, árabes e judeus contam uma história que é densa na medida em que os dois povos envolvidos são donos de todas as histórias do mundo. A história pode ser simples, pois há tantas histórias pressupostas ali, por causa das relações entre os dois povos, que até um filme simples se torna denso. Densidade suave e inteligente. Amoroso.

Assista!

Paulo Ghiraldelli Jr.


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