Cansa! E há mais motivos para isso do que a dupla, tripla ou quádrupla jornada que dizem que as mulheres fazem - e fazem mesmo. A maioria faz.
O que cansa a mulher é o feminismo. Não, não sou daqueles que vai reclamar das milhares de frases feitas do feminismo, ou de sua cintura dura. Sou dos que reclamam com razão.
Mostro a razão, e vão concordar comigo.
Reclamo do feminismo – em termos genéricos - porque ele criou uma pauta ruim para os “assuntos da mulher” na imprensa. Falou “mulher”, então a discussão é “sexualidade” e “mercado de trabalho” – mercado de trabalho da mulher, da “nova mulher”. Eis aí o feminismo. E caso não exista a pauta feminista, falou “mulher”, então eis os assuntos: “vida a dois”, ou seja, marido e casa; e “maquiagem e beleza”, ou seja, você está gorda, feia e vai perder a vida a dois – o marido e a casa.
Esse conjunto de “assunto de mulher” que a imprensa recorta, corta e recorta, deveria ser encerrado. Sexualidade? Ora, isso não é assunto de homem? Deveria ser. Ou quando homem envereda por esse assunto ele é logo chamado de gay ou tarado?
E beleza ou maquiagem e coisas afins – precisa ser “assunto de mulher”? Falta criatividade. Antes do feminismo, as mulheres estavam num gueto. Caíram em outro agora. Falta criatividade mesmo – na imprensa. Sim, na imprensa.
Revistas femininas ou suplementos ou blogs ou coisas parecidas, o que esse tipo de imprensa imagina que seja dever da mulher discutir, ou de estar interessada, é cada vez mais estranho; pois a repetição, que deveria eliminar a estranheza, é o que eu estranho. Conheço mulheres cansadas disso. Elas tem razão.
Paulo Ghiraldelli Jr., o filósofo da cidade de São Paulo
